Olá leitores e escritores, hoje falarei sobre a minha missão de vida e o que pretendo deixar aqui na Terra antes que eu parta... Mas primeiro uma história que pode ou não ser fictícia:
Uma senhora, hoje aos oitenta e tantos anos estudou música e se formou com louvor na Universidade lá pela década de setenta. Com o intuito de passar seu conhecimento à frente ela se tornou professora, dando oportunidade para que outras pessoas, na mesma universidade qual ela se formou, obtivesse os mesmos conhecimentos e se aprimorasse nas artes da música.
No decorrer dos seus quase quarenta anos de magistério ela coordenou projetos de musicoterapia em hospitais, projetos sociais de inclusão para que os menos favorecidos tivessem a oportunidade de mudar sua vida através da música e tantos outros projetos teatrais de apresentação relacionados à música no Paraná, se apresentando em diversas cidades.
Apesar de tudo isto eu não conheço nenhuma de suas ações e seus projetos, pois não fui impactado por ela. Ela me contou em breves minutos a história de sua vida, orgulhosa de sua trajetória. Fico pensando se algum dia farei algo tão impactante em minha vida, ao mesmo tempo que penso em nossa existência como uma gota de água no Oceano, pois por mais que nos empenhamos em mudar algo e fazer deste mundo um lugar melhor... Não alcançamos nada além de nossas limitações, ao menos não sozinhos. Pessoas bem intencionadas devem se juntar num projeto maior que elas mesmas, pois as pessoas más se juntam em prol de seu egoísmo.
Há uma frase na qual eu acredito muito; "Coisas ruins acontecem, não pelas mãos de pessoas com más intenções, mas sim através da inércia das pessoas boas". Não sei se é bem esta a frase, pois deve ser melhor construída do que isto, mas acredito que deu pra ter uma ideia do pensamento por trás dela.
Outra coisa que me ocorreu durante ela me contava esta história é; nos focamos muito nas coisas ruins, a nossa sobrevivência no passado sempre dependeu mais de memorizarmos as coisas ruins e identificá-las, por esta razão elas ganham destaque em nossas mentes e corações, isto nos faz prever e tomar as medidas necessárias para evitar o perigo, porém nos torna mais pessimistas quanto ao ambiente e às pessoas, tornando-nos amargos e ariscos. Ao mesmo tempo que isto nos afasta de boas pessoas também nos cega diante de bons exemplos, boas práticas em nossas vidas.
É certo que durante a minha vida profissional me deparei com dilemas éticos, principalmente se tratando do comércio varejista, mas sempre escolhi arriscar minha posição em prol de uma atitude eticamente inquestionável. Isto me entristece, pois perdi oportunidades de ganhar mais e conseguir ganhos rápidos de forma ética, mas não consegui pois meus iguais e superiores queriam o caminho mais fácil e menos ético, por conta disto eu fiquei pouquíssimo tempo em posições que me concederiam uma qualidade de vida melhor. Isto tudo me faz acreditar que pessoas ocupantes de posições privilegiadas da sociedade devem fazer mais força pra se manterem, mantendo a ética, do que pra fazer o bem, isto torna o trabalho de fazer este mundo um lugar melhor muito mais difícil...
Você deve estar questionando; mas Gustavo, por qual motivo você está escrevendo tudo isto?
É simples e límpido; pessoas boas tem uma missão difícil e trabalhosa na conscientização da importância da integridade, coisa pouco trabalhada, mas este é o caminho que escolho aqui, através deste blog e de meus livros vindouros. Sempre colocarei questionamentos sobre ética e posicionamento através de personagens dúbios e contraditórios, fazendo aqueles que se disporem a ler meus escritos pensarem sobre a vida e a sociedade, questionando se estamos no caminhos certo.
Contudo não conseguirei fazer isto sozinho; preciso de leitores e apoiadores. Por esta razão peço que coloquem pautas qui embaixo para que eu faça contos curtos neste blog, talvez até com um pequeno roteiro, assim colocarei a minha ótica e as técnicas que aprendi durante estes meus poucos anos de escrita para que mais pessoas boas possam pegar para si esta missão de conscientizar outros sobre a importância da ética...
Abraços randômicos e até mais!
sábado, 28 de julho de 2018
Post Random #28 Missão de Vida
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Literatura
domingo, 20 de maio de 2018
"Os 13 Porquês" e como ela reflete a sociedade.
Olá caros leitores e escritores, neste post abordarei a polêmica da primeira temporada da série "Os 13 Porquês" e a possível motivação de se escrever este tipo de série neste formato.
Para quem não sabe ou estava em Marte no ano de lançamento da série, ela aborda o suicídio de uma garota numa escola norte-americana, porém é altamente expansível para muitas outras partes do mundo, pois conta um pouco da cultura sexista e misógina altamente presente nas escolas em todo o mundo. Mas, acima de tudo, o problema do suicídio não está presente somente nas escolas, entretanto está onipresente por todo e qualquer tipo de ambiente, seja ele pessoal ou profissional.
Na época do lançamento fiquei tentado a escrever sobre, porém sabia que a obra não estava completa. É como escrever metade de um livro com temas complexos e sensíveis e esperar que alguém o entenda. O que quero dizer é que faltava algo na primeira temporada e isto se fez na segunda; um complemento por assim dizer. O assunto foi interpretado por muitos como um tom leviano sobre um tema sério, tantos outros entenderam que é importante falar sobre e dentre estes últimos estavam os produtores da série, eles entenderam o papel desempenhado pela série; compreender s pontos de vista das diversas vítimas no processo de bullying e depreciação do ser humano como um todo. Quando você ou eu ofendemos alguém acabamos por objetificar esta pessoa, isto faz com que não observemos a empatia, um sentimento cujo nos torna mais humanos e nos compadeçamos com o próximo, isto gera um ciclo vicioso, pois tudo o que vai; volta. Isto tudo se você não sofrer do transtorno de psicopatia, o que é irônico, pois o psicopata, por definição, não sofre por ninguém.
Sobre a premeditação das fitas; é exagerado, mas também é um recurso narrativo muito forte e temos que saber interpretar este fio narrativo que conduz a série. "Ah... Mas o autor poderia ter usado outro recurso mais verossímil..." meu caro leitor; já há verossimilhança o suficiente na história, pois muitas pessoas sofrem de depressão com tendências suicidas e é verdade que muitos não deixam suas vontades e vozes expressas, contanto ao racionalizar seus sofrimentos eles, geralmente, concluem que é o ambiente e as pessoas que os cercam que os deixam doente e querendo terminar com tudo da pior forma... E como sei disto? Eu fui um deles, além do mais existem algumas pesquisas sobre a psique humana que corroboram com esta visão, porém estamos falando de uma área do conhecimento humano cujo não se conhece muito; o nosso conhecimento sobre nós mesmos. Acredito que enquanto não nos libertarmos desta falta de conhecimento sobre como funciona nosso próprio processo de pensamento, não poderemos melhorar muito mais. Eu escrevi e rasguei várias cartas de suicídio, estes escritos me ajudaram a entender que o inferno são os outros, pois eu fazia tudo que estava em meu alcance para auto determinar como ser humano, tornando-me autônomo em minhas decisões. No processo aprendi; os adultos apenas fingem saber o que estão fazendo, pois viver é mais complexo do que, simplesmente, esperar o tempo passar e aguardar o aprendizado entrar em sua mente. Se alguém te passou a sensação de que a vida acontece desta maneira; afaste-se desta pessoa, pois ela que que você se dê mal ou não sabe dar conselhos. Ser um humano completo, realizado, sadio (em mente e corpo) é cada vez mais difícil do que o mundo 'meritocrático' quer passar para você, pois meritocracia não existe e o oposto também não. Num mundo com conceitos globais ditados pelo ocidente temos prós e contras, os prós são a sensação de civilidade, porém um dos contras é a impressão (errada) de que o capitalismo deu certo e que as instituições públicas realmente desejam o bem estar social, enquanto elas só querem que você acredite nisto, é como um Deus onipresente e onipotente que em nome do livre arbítrio deixa os seus devotos sofrerem. O fato é que não há ninguém pra nos proteger neste sistema, se queremos segurança temos que fazer por si, pois o Estado que jura fomentar o bem-estar social também ajuda a gerar as desigualdades. Acreditar no Estado só dá a sensação de segurança, faz com que baixamos a guarda e nos deixe ser espancados com leis injustas e que só prendem quem não tem a proteção que só o dinheiro pode comprar. Vivemos dentro de um clube exclusivo cuja a maioria de nós somos empregados enquanto 20% (ou até menos) são realmente protegidos pela diretoria do clube (uns 2% ou menos), mas que na primeira oportunidade não excitarão em empregá-los para 'o seu bem' e que 'devem se sentir gratos por estarem ali; vivos', pois é isto que eles fazem hoje com os outros 78%.
Mas o que tudo isto tem a ver com a série? Eu lhe respondo; tudo!
Na série o colégio reforça preconceito e suas ações de integração entre os alunos tem uma roupagem democrática, porém são fascistas por si, pois reforçam as panelinhas e as divisões entre os alunos, onde o status e a popularidade importam mais do que os sentimentos dos alunos, como consequência os populares vivem de aparências, os impopulares acham isto certo e tentam ganhar seu espaço enquanto os excluídos se alimentam de sua depressão e miséria e afogam sua aprovação social nos mais diversos meios (lícitos e ilícitos). Por isto eu não acredito na guerra contra as drogas, para mim não passa de um discurso moralista vazio pra convencer as massas de que o Estado é protetor do bem-estar social, enquanto a oligarquia que o comanda lucra em cima da miséria de espírito e dinheiro que eles mesmos geram através da cultura do trabalho existente. Mas continuando... A minha leitura sobre a série transborda sobre toda a sociedade, pois aqueles que desistem de viver em meio a tantas injustiças e se cansa de suportar um peso desnecessário (para sustentar o luxo de poucos) são culpados por desistirem, enquanto os verdadeiros culpados continuam a viver sem o menor peso na consciência e com a certeza da impunidade. Isto é mostrado na segunda temporada da série enquanto a reputação do todo poderoso rei do colégio continua intacta e seus colegas mais próximos são jogados para o meio do fogo (podemos fazer a analogia dos 20% mais ricos jogados pra miséria enquanto os 2% de privilegiados se salvam). Outra coisa que me vem a mente é a passagem bíblica "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céus" tornando ser pobre um pré-requisito para ser bom e ao mesmo tempo ter a oportunidade de viver com Deus, isto espalha a sensação de que a população deve se contentar com o pouco, assim como os porcos tem que contentar com a comida que lhe és dada. Isto não te faz pensar a quem serve a difusão desta palavra? Aos ricos, obviamente, que raramente são importunados por levantes, revoluções e revoltas populares, pois Deus lhe diz que deve ser assim, Ele nos diz pra seguir o caminho da miséria para que possamos alcançar a paz eterna. Esta, para mim, é uma evidência clara de que a Bíblia foi escrita com interesses únicos em manter o status quo de populações ordeiras como ovelhas, pois o Senhor é o seu Pastor e nada lhes faltará. Podemos substituir por "o Estado lhes trará justiça social e todos viverão dignamente", estas e outras coisas me fazem acreditar que a Bíblia e Constituições nada mais são do que mãe e filhas que protegem o pai que as escrevem da revolta que virá.
Na segunda temporada a justiça é perseguida pela família, porém os advogados de defesa do colégio torcem e distorcem as palavras das testemunhas que desejam a verdade revelada, além de colocarem tantas outras falas em suas bocas. Realidade não muito diferente onde a grande mídia tenta distorcer a palavra daqueles que buscam revelar a verdade, de quem estou falando? Não sei, pois a verdade não nos foi revelada ainda, não sabemos o que se passa, de fato, por trás das cortinas (de fumaça) do poder. Tudo o que sabemos é o que nos é contado e se quisermos a verdade teremos que buscá-la, quando alcançarmos a verdade tentarão nos calar, nos invisibilizar, levando os outros a acreditarem que não somos importantes e nossas palavras não valem nada. É o que acontece na série; calam e objetificam a pessoa que desistiu da vida, uma covardia sem tamanho visto que ela não pode se defender e algumas pessoas vão jogar a culpa nela para poderem viver impunes suas vidas de vidro.
Acredite e faça as análises que desejarem, mas lhe peço que pense sobre o que escrevi.
Abraços randômicos e até mais!
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domingo, 4 de fevereiro de 2018
Isto é muito Black Mirror #3
Olá caros leitores e escritores. Hoje, continuando da série Black Mirror um episódio que aborda tecnologias que não devem ser inventadas (apesar de termos algo parecido em nossas mãos neste momento). Estou falando do implante "Grão" onde guarda suas memórias para analisa-las e aproveitá-las posteriormente.
Neste episódio, nosso personagem principal é casado e mora numa casa que eu diria ser de classe A ou B, pois é muito ampla e confortável. Ele é advogado, mas também não é tão relevante pra história. Você se perguntaria, como escritor, como a profissão do personagem pode não ser relevante pra história? A resposta chega a ser simplista; a trama sustenta a história. O importante mesmo neste aspecto da vida do personagem são seu circulo de amigos e o relacionamento de um dele com sua esposa no passado. Lembrando que, a partir de agora CONTÉM SPOOLERS.
Após uma reunião mal sucedida, o advogado vai até uma festa em sua casa, onde encontra um homem conversando com sua mulher, um do seu circulo de amigos. No jantar o tal amigo faz uma piada sem graça e sua mulher dá risada e, através do "Grão", ele começa a remoer a cena na qual ninguém mais deu risada, depois o jeito de olhar... E depois começa a se tornar paranoico, coisa que se comprova no final do episódio, que sua filha era, na verdade, deste seu amigo. Com isto em mente, ele vai ao encontro dele, na casa dele, ameaça tirar sua vida se não deletar suas memórias com a atual esposa, já que no referido jantar ele declarou se masturbar com "cenas boas de outros relacionamentos" enquanto sua esposa estava esperando por ele em seu quarto. O restante é autoexplicativo.
No final ele aparece sozinho, em frente ao espelho, retirando o "Grão". Isto pode significar uma separação ou, dado o descontrole emocional do protagonista, um assassinato em série. Ao meu ver qualquer uma das interpretações podem estar certas.
Pontos importantes do episódio:
Na cena do jantar aparece uma das amigas do casal que foi sequestrada e o "Grão" retirado, isto mostra como é viver sem o implante numa sociedade que, praticamente, idolatra o implante, tornando-se dependentes dele. Uma analogia para os dias de hoje, já que todo escritor que escreve fala, mesmo que indiretamente, de seu tempo presente, seria as redes sociais e devices como celulares, tablets e notebooks. Hoje somos totalmente dependentes deles. Neste caso é como se roubassem seu celular e resolvesse não comprar outro.
Depois de confrontar o seu algoz, nosso "herói" bate o carro, sendo que o implante o alertou de que dirigir alcoolizado não era uma boa ideia, além de suspender a cobertura dos seguros contra acidentes. Isto, pensando no nosso mundo, teria um grandíssimo impacto, no qual as seguradores cobririam somente acidentes não induzidos; seguros antifurto seriam, praticamente, a prova de fraudes e desastres naturais seriam facilmente comprovados através dos implantes. Isto daria uma imensa segurança jurídica pra todos, porém a privacidade (coisa praticamente inexistente ainda hoje) seria totalmente obliterada em prol destes benefícios.
O implante é usado em aeroportos como forma de evitar acontecimentos indesejáveis em tais locais, controlando quem pode ter acesso a este serviço. Uma possível restrição de direitos para elementos suspeitos. Isto, como vemos hoje, pode gerar descontentamento e a marginalização dos indivíduos, tornando-os de fato criminosos.
Esta tecnologia, ao meu ver, tem mais malefícios do que benefícios, pois além da trama principal que nos mostra a paranoia possível de ser gerada num relacionamento (assim como os nossos dispositivos tecnológicos de hoje, porém com muito mais 'certeza' por parte do desconfiado), nos trás a um mundo onde a privacidade é inexistente e, mesmo se não quiser, você será exposto de forma constante a um assédio familiar e de amigos. Somente o fato do bebê do casal ter um implante já deveria ser preocupante, já que uma simples babá eletrônica já seria o suficiente. O que nos mostra a falta de arbítrio das pessoas sobre colocar ou não o implante, já que os pais, desde cedo, devem implantar o "Grão" nas suas crianças com a justificativa de deixar os seus filhos seguros, porém presos.
Por hoje é só, espero que tenham gostado do post e se quiser colocar aqui os seus medos ou esperanças quanto a este tipo de tecnologia, fiquem a vontade!
Abraços randômicos e até mais!
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domingo, 21 de janeiro de 2018
Isto é muito Black Mirror #2
Olá caros leitores e escritores, neste dia irei falar sobre o segundo episódio da primeira temporada de Black Mirror.
Um cara, uma bicicleta que gera energia em meio a varias outras pessoas que fazem o mesmo. Em seu tempo de folga é obrigado a assistir entretenimento enlatado se não quiser gastar seus créditos. Um show de talentos inescrupuloso para entreter os geradores de energia. CONTÉM SPOILERS.
Um homem negro retrata nosso ponto de vista na narrativa. O que me imergiu no episódio é o fato de ser tão parecido com a nossa realidade; sair da merda e ser alguém através de um concurso... É algo que infelizmente ocorre muito hoje. E no fim não faz diferença, pois é tanta gente tentando as mesmas coisas.
Ele encontra uma mulher jovem, como um anjo em meio ao caos psicológico que o episódio nos coloca. O nosso personagem principal é tomado pela revolta após comprar uma candidatura ao tal concurso de talentos pra esta mulher. Porém o destino dela é uma prostituição forçada pelo compromisso implícito no presente. Obviamente ele se revoltou e deu a volta por cima economizando pra comprar uma entrada e... Ele ameaça cortar a garganta na frente de todos, porém isto termina como mais um canal, mais uma mídia enlatada reproduzida para os geradores de energia.
No fim a revolta dele é compartimentada para não esparramar pra todos os lados. Os internos consomem este programa como forma de controle, colocando a revolta de cada um concentrada em determinados momentos. Podemos comparar ao "minuto de ódio" em "1984" ou ainda resumido pela frase "o sistema é foda, parceiro". De qualquer forma isto mostra o quanto nossas emoções, ideias e ações são compartimentalizadas entre os setores de nosso dia. O episódio também nos mostra que não basta a revolta, não é o suficiente protestar... Ele tinha apenas duas escolhas; viver bem, curvando-se ao sistema ou morrer lá no palco pra talvez gerar uma revolta. O sistema minimiza o sacrifício, faz com quê as intenções puras sejam corrompidas pela própria versão dos fatos.
O problema é que geralmente as pessoas não pensam sobre suas convicções e não as quebram em pedaços menores pra ver se desmancham ou continuam fortes. O que é certo pra você talvez não seja para outros. No entanto atacamos a posição alheia ao invés de tentar emprestar o entendimento alheio e tem medo de rever suas convicções, bem como a filosofia fazia antigamente... Quando o método científico estava sendo montado e criando raízes.
Lembrando que estes episódios de Black Mirror costumam ter interpretações particulares a cada telespectador, contando mais sobre a visão dele sobre o mundo do que qualquer outro ponto, por esta razão eu gostaria ouvir, ler e saber da visão de vocês sobre este episódio.
Filosofando um pouquinho:
Não quero dizer pra deixar de acreditar, mas sim que não tenha nada sagrado, que não pode ser contradito e/ou desmontado. Depois de tanto tempo desconstruindo os meus conceitos, cristalizei um novo; deixar as pessoas fazerem o que quiserem com elas mesmas, portanto devem respeitar a liberdade alheia. Isto faria diferença na sociedade; aceitar que tudo o que você sabe pode ter algo de errado, mas o medo cega...
Depois deste episódio senti uma sensação horrível, ainda pior do que no primeiro episódio. Mas vale a pena assistir pra refletirmos a natureza do ser humano e eu compactuo com a visão do episódio "o ser humano é mau a não ser que precise ser bom".
Comentem o que acharam do episódio, pois esta é uma discussão importantíssima!
Abraços randômicos e até mais!
Um cara, uma bicicleta que gera energia em meio a varias outras pessoas que fazem o mesmo. Em seu tempo de folga é obrigado a assistir entretenimento enlatado se não quiser gastar seus créditos. Um show de talentos inescrupuloso para entreter os geradores de energia. CONTÉM SPOILERS.
Um homem negro retrata nosso ponto de vista na narrativa. O que me imergiu no episódio é o fato de ser tão parecido com a nossa realidade; sair da merda e ser alguém através de um concurso... É algo que infelizmente ocorre muito hoje. E no fim não faz diferença, pois é tanta gente tentando as mesmas coisas.
Ele encontra uma mulher jovem, como um anjo em meio ao caos psicológico que o episódio nos coloca. O nosso personagem principal é tomado pela revolta após comprar uma candidatura ao tal concurso de talentos pra esta mulher. Porém o destino dela é uma prostituição forçada pelo compromisso implícito no presente. Obviamente ele se revoltou e deu a volta por cima economizando pra comprar uma entrada e... Ele ameaça cortar a garganta na frente de todos, porém isto termina como mais um canal, mais uma mídia enlatada reproduzida para os geradores de energia.
No fim a revolta dele é compartimentada para não esparramar pra todos os lados. Os internos consomem este programa como forma de controle, colocando a revolta de cada um concentrada em determinados momentos. Podemos comparar ao "minuto de ódio" em "1984" ou ainda resumido pela frase "o sistema é foda, parceiro". De qualquer forma isto mostra o quanto nossas emoções, ideias e ações são compartimentalizadas entre os setores de nosso dia. O episódio também nos mostra que não basta a revolta, não é o suficiente protestar... Ele tinha apenas duas escolhas; viver bem, curvando-se ao sistema ou morrer lá no palco pra talvez gerar uma revolta. O sistema minimiza o sacrifício, faz com quê as intenções puras sejam corrompidas pela própria versão dos fatos.
O problema é que geralmente as pessoas não pensam sobre suas convicções e não as quebram em pedaços menores pra ver se desmancham ou continuam fortes. O que é certo pra você talvez não seja para outros. No entanto atacamos a posição alheia ao invés de tentar emprestar o entendimento alheio e tem medo de rever suas convicções, bem como a filosofia fazia antigamente... Quando o método científico estava sendo montado e criando raízes.
Lembrando que estes episódios de Black Mirror costumam ter interpretações particulares a cada telespectador, contando mais sobre a visão dele sobre o mundo do que qualquer outro ponto, por esta razão eu gostaria ouvir, ler e saber da visão de vocês sobre este episódio.
Filosofando um pouquinho:
Não quero dizer pra deixar de acreditar, mas sim que não tenha nada sagrado, que não pode ser contradito e/ou desmontado. Depois de tanto tempo desconstruindo os meus conceitos, cristalizei um novo; deixar as pessoas fazerem o que quiserem com elas mesmas, portanto devem respeitar a liberdade alheia. Isto faria diferença na sociedade; aceitar que tudo o que você sabe pode ter algo de errado, mas o medo cega...
Depois deste episódio senti uma sensação horrível, ainda pior do que no primeiro episódio. Mas vale a pena assistir pra refletirmos a natureza do ser humano e eu compactuo com a visão do episódio "o ser humano é mau a não ser que precise ser bom".
Comentem o que acharam do episódio, pois esta é uma discussão importantíssima!
Abraços randômicos e até mais!
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Post Random #27 Culpa da Vítima?
Olá caros leitores e escritores. Hoje em dia está em pauta a literatura de expressões sobre minorias e como os outros se relacionam com estes setores sociais. Sabemos também que parte radical destas minorias estão exigindo o seu espaço na literatura, pois isto se faz necessário num ambiente onde se dá voz e vez, como na internet. Mas é difícil pra alguns enxergarem alguns aspectos e gerar empatia através de seus posts e conjunto de opiniões. Não desejo ser guia para ninguém, mas o que direi neste texto me serviu muito bem para entender esta vitimização das minorias e como isto se relaciona com a história de nossa sociedade...
Pra começarmos é preciso saber que postei alguns conteúdos referentes à empatia. Este é um princípio que deve ser entendido completamente, senão você será apenas um 'hater' em busca de alimento aqui no blog.
O que você vê quando descrevo a cena abaixo?
"Encontrei minha amiga de infância sentada bem na minha frente, numa lanchonete da capital. Ela estava linda com os cabelos soltos e seu estilo único. Não podia parar de pensar se ela conseguiu seguir aquela graduação em moda que ela tanto queria, ou se aquele caderno em suas mãos seja resultado de alguma coisa... Queria passar em branco, não queria que ela me visse."
Pois bem; o narrador-personagem é homem ou mulher? Ele/ela sente amor ou amizade nostálgica? O narrador-personagem é branco, preto, moreno, ruivo? A lanchonete te remete a um lugar na periferia da capital ou no centro?
Dependendo de seu contexto social você enxergará esta cena de diferentes formas. Compreender isto é fundamental para que a sua história fale na mesma língua que você. Insira os detalhes se quiser que ela trave, mas deixe rolar se quiser que o leitor participe de sua história ativamente.
Não sou contra os "olhos azuis como o céu" ou os "cabelos longos e lisos como um fino tecido". É poético, mas é uma parede para conceitos tão diversos dos dias de hoje. Parafraseando o personagem Sheldon de "The Big Bang Theory"; deixe a sua história rodar na placa de vídeo mais poderosa; a mente.
Diferentes contextos nos levam além da literatura, nos carregam para perto de seus personagens e possíveis traumas dos mesmos. Também nos aproxima com o outro, que também pode ser seu leitor. O negócio é compreender que abusos podem acontecer com todos, mas alguns grupos sociais são mais suscetíveis a isto, por mais que alguns ídolos de ideologias queiram lhe dizer o oposto.
A cena descrita também pode ser um teste pra enxergar seus preconceitos e imagens pré-concebidas de cenas onde não se descreve a aparência. Pois até onde a cena te diz o narrador pode ser gay, lésbica ou trans... Pode ser um balconista, um zelador, a cozinheira da lanchonete. Simplesmente você não sabe. Você apenas preconcebe imagens aleatórias baseadas em sua vivência. Isto é fundamental pra compreender a visão e pensamento do outro.
Pensou que não estou falando de vitimização ou culpabilidade da vítima? O que escrevi até agora foi a introdução de um conceito simples, no entanto a falta de exercício de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos nos deixam cegos perante a outras realidades. Pois pra muitos a imagem do outro não existe, o coletivo só existe pra impor suas vontades subjetivas. Quero lhe dizer que existem grupos de interesse por trás da coletividade; tanto para o bem, quanto para o mal. Determinar se o discurso é viciado em sua origem é fundamental pra construirmos nossos conceitos e descontruirmos também. Saber que existem duas ou mais versões narrativas pra mesma realidade é importante pra sabermos que existe a vítima do ato, se existe vitima das circunstâncias e qual é a parcela de culpa de cada um dos envolvidos direta e indiretamente no ato de violência (psíquica ou física). Entender que a mulher vestindo determinada roupa está "chamando estuprador" ou que determinada pessoa "não merece ser estuprada" não é uma opinião aceitável, pois isto demonstra que se você fosse uma mulher exercendo a sua vontade de se vestir como bem quiser (como um homem tem esta liberdade na sociedade atual) você estaria sujeito a ser estuprado. Deu pra perceber a perversidade desta linha de raciocínio? E isto vale pra outros grupos marginalizados, tanto de gêneros quanto em relação à religião.
Você merecia ser espancado por ser quem é? Se a resposta for não; deixe de impor a mesma situação aos outros. Se for sim; você precisa de ajuda. Simples assim... 😉
Deixem suas experiências nos comentários. Abraços randômicos e até mais!
Pra começarmos é preciso saber que postei alguns conteúdos referentes à empatia. Este é um princípio que deve ser entendido completamente, senão você será apenas um 'hater' em busca de alimento aqui no blog.
O que você vê quando descrevo a cena abaixo?
"Encontrei minha amiga de infância sentada bem na minha frente, numa lanchonete da capital. Ela estava linda com os cabelos soltos e seu estilo único. Não podia parar de pensar se ela conseguiu seguir aquela graduação em moda que ela tanto queria, ou se aquele caderno em suas mãos seja resultado de alguma coisa... Queria passar em branco, não queria que ela me visse."
Pois bem; o narrador-personagem é homem ou mulher? Ele/ela sente amor ou amizade nostálgica? O narrador-personagem é branco, preto, moreno, ruivo? A lanchonete te remete a um lugar na periferia da capital ou no centro?
Dependendo de seu contexto social você enxergará esta cena de diferentes formas. Compreender isto é fundamental para que a sua história fale na mesma língua que você. Insira os detalhes se quiser que ela trave, mas deixe rolar se quiser que o leitor participe de sua história ativamente.
Não sou contra os "olhos azuis como o céu" ou os "cabelos longos e lisos como um fino tecido". É poético, mas é uma parede para conceitos tão diversos dos dias de hoje. Parafraseando o personagem Sheldon de "The Big Bang Theory"; deixe a sua história rodar na placa de vídeo mais poderosa; a mente.
Diferentes contextos nos levam além da literatura, nos carregam para perto de seus personagens e possíveis traumas dos mesmos. Também nos aproxima com o outro, que também pode ser seu leitor. O negócio é compreender que abusos podem acontecer com todos, mas alguns grupos sociais são mais suscetíveis a isto, por mais que alguns ídolos de ideologias queiram lhe dizer o oposto.
A cena descrita também pode ser um teste pra enxergar seus preconceitos e imagens pré-concebidas de cenas onde não se descreve a aparência. Pois até onde a cena te diz o narrador pode ser gay, lésbica ou trans... Pode ser um balconista, um zelador, a cozinheira da lanchonete. Simplesmente você não sabe. Você apenas preconcebe imagens aleatórias baseadas em sua vivência. Isto é fundamental pra compreender a visão e pensamento do outro.
Pensou que não estou falando de vitimização ou culpabilidade da vítima? O que escrevi até agora foi a introdução de um conceito simples, no entanto a falta de exercício de desconstrução de conceitos pré-estabelecidos nos deixam cegos perante a outras realidades. Pois pra muitos a imagem do outro não existe, o coletivo só existe pra impor suas vontades subjetivas. Quero lhe dizer que existem grupos de interesse por trás da coletividade; tanto para o bem, quanto para o mal. Determinar se o discurso é viciado em sua origem é fundamental pra construirmos nossos conceitos e descontruirmos também. Saber que existem duas ou mais versões narrativas pra mesma realidade é importante pra sabermos que existe a vítima do ato, se existe vitima das circunstâncias e qual é a parcela de culpa de cada um dos envolvidos direta e indiretamente no ato de violência (psíquica ou física). Entender que a mulher vestindo determinada roupa está "chamando estuprador" ou que determinada pessoa "não merece ser estuprada" não é uma opinião aceitável, pois isto demonstra que se você fosse uma mulher exercendo a sua vontade de se vestir como bem quiser (como um homem tem esta liberdade na sociedade atual) você estaria sujeito a ser estuprado. Deu pra perceber a perversidade desta linha de raciocínio? E isto vale pra outros grupos marginalizados, tanto de gêneros quanto em relação à religião.
Você merecia ser espancado por ser quem é? Se a resposta for não; deixe de impor a mesma situação aos outros. Se for sim; você precisa de ajuda. Simples assim... 😉
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