Olá caros leitores e escritores, neste post abordarei a polêmica da primeira temporada da série "Os 13 Porquês" e a possível motivação de se escrever este tipo de série neste formato.
Para quem não sabe ou estava em Marte no ano de lançamento da série, ela aborda o suicídio de uma garota numa escola norte-americana, porém é altamente expansível para muitas outras partes do mundo, pois conta um pouco da cultura sexista e misógina altamente presente nas escolas em todo o mundo. Mas, acima de tudo, o problema do suicídio não está presente somente nas escolas, entretanto está onipresente por todo e qualquer tipo de ambiente, seja ele pessoal ou profissional.
Na época do lançamento fiquei tentado a escrever sobre, porém sabia que a obra não estava completa. É como escrever metade de um livro com temas complexos e sensíveis e esperar que alguém o entenda. O que quero dizer é que faltava algo na primeira temporada e isto se fez na segunda; um complemento por assim dizer. O assunto foi interpretado por muitos como um tom leviano sobre um tema sério, tantos outros entenderam que é importante falar sobre e dentre estes últimos estavam os produtores da série, eles entenderam o papel desempenhado pela série; compreender s pontos de vista das diversas vítimas no processo de bullying e depreciação do ser humano como um todo. Quando você ou eu ofendemos alguém acabamos por objetificar esta pessoa, isto faz com que não observemos a empatia, um sentimento cujo nos torna mais humanos e nos compadeçamos com o próximo, isto gera um ciclo vicioso, pois tudo o que vai; volta. Isto tudo se você não sofrer do transtorno de psicopatia, o que é irônico, pois o psicopata, por definição, não sofre por ninguém.
Sobre a premeditação das fitas; é exagerado, mas também é um recurso narrativo muito forte e temos que saber interpretar este fio narrativo que conduz a série. "Ah... Mas o autor poderia ter usado outro recurso mais verossímil..." meu caro leitor; já há verossimilhança o suficiente na história, pois muitas pessoas sofrem de depressão com tendências suicidas e é verdade que muitos não deixam suas vontades e vozes expressas, contanto ao racionalizar seus sofrimentos eles, geralmente, concluem que é o ambiente e as pessoas que os cercam que os deixam doente e querendo terminar com tudo da pior forma... E como sei disto? Eu fui um deles, além do mais existem algumas pesquisas sobre a psique humana que corroboram com esta visão, porém estamos falando de uma área do conhecimento humano cujo não se conhece muito; o nosso conhecimento sobre nós mesmos. Acredito que enquanto não nos libertarmos desta falta de conhecimento sobre como funciona nosso próprio processo de pensamento, não poderemos melhorar muito mais. Eu escrevi e rasguei várias cartas de suicídio, estes escritos me ajudaram a entender que o inferno são os outros, pois eu fazia tudo que estava em meu alcance para auto determinar como ser humano, tornando-me autônomo em minhas decisões. No processo aprendi; os adultos apenas fingem saber o que estão fazendo, pois viver é mais complexo do que, simplesmente, esperar o tempo passar e aguardar o aprendizado entrar em sua mente. Se alguém te passou a sensação de que a vida acontece desta maneira; afaste-se desta pessoa, pois ela que que você se dê mal ou não sabe dar conselhos. Ser um humano completo, realizado, sadio (em mente e corpo) é cada vez mais difícil do que o mundo 'meritocrático' quer passar para você, pois meritocracia não existe e o oposto também não. Num mundo com conceitos globais ditados pelo ocidente temos prós e contras, os prós são a sensação de civilidade, porém um dos contras é a impressão (errada) de que o capitalismo deu certo e que as instituições públicas realmente desejam o bem estar social, enquanto elas só querem que você acredite nisto, é como um Deus onipresente e onipotente que em nome do livre arbítrio deixa os seus devotos sofrerem. O fato é que não há ninguém pra nos proteger neste sistema, se queremos segurança temos que fazer por si, pois o Estado que jura fomentar o bem-estar social também ajuda a gerar as desigualdades. Acreditar no Estado só dá a sensação de segurança, faz com que baixamos a guarda e nos deixe ser espancados com leis injustas e que só prendem quem não tem a proteção que só o dinheiro pode comprar. Vivemos dentro de um clube exclusivo cuja a maioria de nós somos empregados enquanto 20% (ou até menos) são realmente protegidos pela diretoria do clube (uns 2% ou menos), mas que na primeira oportunidade não excitarão em empregá-los para 'o seu bem' e que 'devem se sentir gratos por estarem ali; vivos', pois é isto que eles fazem hoje com os outros 78%.
Mas o que tudo isto tem a ver com a série? Eu lhe respondo; tudo!
Na série o colégio reforça preconceito e suas ações de integração entre os alunos tem uma roupagem democrática, porém são fascistas por si, pois reforçam as panelinhas e as divisões entre os alunos, onde o status e a popularidade importam mais do que os sentimentos dos alunos, como consequência os populares vivem de aparências, os impopulares acham isto certo e tentam ganhar seu espaço enquanto os excluídos se alimentam de sua depressão e miséria e afogam sua aprovação social nos mais diversos meios (lícitos e ilícitos). Por isto eu não acredito na guerra contra as drogas, para mim não passa de um discurso moralista vazio pra convencer as massas de que o Estado é protetor do bem-estar social, enquanto a oligarquia que o comanda lucra em cima da miséria de espírito e dinheiro que eles mesmos geram através da cultura do trabalho existente. Mas continuando... A minha leitura sobre a série transborda sobre toda a sociedade, pois aqueles que desistem de viver em meio a tantas injustiças e se cansa de suportar um peso desnecessário (para sustentar o luxo de poucos) são culpados por desistirem, enquanto os verdadeiros culpados continuam a viver sem o menor peso na consciência e com a certeza da impunidade. Isto é mostrado na segunda temporada da série enquanto a reputação do todo poderoso rei do colégio continua intacta e seus colegas mais próximos são jogados para o meio do fogo (podemos fazer a analogia dos 20% mais ricos jogados pra miséria enquanto os 2% de privilegiados se salvam). Outra coisa que me vem a mente é a passagem bíblica "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino do céus" tornando ser pobre um pré-requisito para ser bom e ao mesmo tempo ter a oportunidade de viver com Deus, isto espalha a sensação de que a população deve se contentar com o pouco, assim como os porcos tem que contentar com a comida que lhe és dada. Isto não te faz pensar a quem serve a difusão desta palavra? Aos ricos, obviamente, que raramente são importunados por levantes, revoluções e revoltas populares, pois Deus lhe diz que deve ser assim, Ele nos diz pra seguir o caminho da miséria para que possamos alcançar a paz eterna. Esta, para mim, é uma evidência clara de que a Bíblia foi escrita com interesses únicos em manter o status quo de populações ordeiras como ovelhas, pois o Senhor é o seu Pastor e nada lhes faltará. Podemos substituir por "o Estado lhes trará justiça social e todos viverão dignamente", estas e outras coisas me fazem acreditar que a Bíblia e Constituições nada mais são do que mãe e filhas que protegem o pai que as escrevem da revolta que virá.
Na segunda temporada a justiça é perseguida pela família, porém os advogados de defesa do colégio torcem e distorcem as palavras das testemunhas que desejam a verdade revelada, além de colocarem tantas outras falas em suas bocas. Realidade não muito diferente onde a grande mídia tenta distorcer a palavra daqueles que buscam revelar a verdade, de quem estou falando? Não sei, pois a verdade não nos foi revelada ainda, não sabemos o que se passa, de fato, por trás das cortinas (de fumaça) do poder. Tudo o que sabemos é o que nos é contado e se quisermos a verdade teremos que buscá-la, quando alcançarmos a verdade tentarão nos calar, nos invisibilizar, levando os outros a acreditarem que não somos importantes e nossas palavras não valem nada. É o que acontece na série; calam e objetificam a pessoa que desistiu da vida, uma covardia sem tamanho visto que ela não pode se defender e algumas pessoas vão jogar a culpa nela para poderem viver impunes suas vidas de vidro.
Acredite e faça as análises que desejarem, mas lhe peço que pense sobre o que escrevi.
Abraços randômicos e até mais!
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