segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Post Random #26 Desafios Sociais da Arte

Olá caros leitores e escritores, hoje em dia temos o dever de conduzir a arte contemporânea. Seja através da escrita ou pela imagem... E tantos outros modos de expressões artísticas/culturais. E veja como estes dilemas e desafios podem servir de cortina de fumaça pra ações bem mais significantes, no entanto não chocam tanto quanto o nu da suposta moral e bons costumes inexistentes.

Começando pelo início... Demorei muito pra tomar uma posição e excluir meus possíveis preconceitos a respeito de arte conceitual, o mesmo serviu para virar a página da figura dos bons costumes. Portanto não esperem uma reação retrógrada a respeito da arte. Porém o que deve ser levado em conta são os espaços onde estas manifestações culturais contemporâneas (não necessariamente artísticas) são expressas. Devemos ter o cuidado também com o nosso Histórico Nacional e no que diz respeito à nossa recente abertura democrática, ou seja, não temos prática em nos governar, mas não é desculpa para nos abster.

Com estas considerações poderemos seguir com a minha perspectiva sobre o assunto...

No caso Santander, por exemplo, o espaço usado para a exposição era restrito e fazia parte de um contexto bem específico. Fizeram muito barulho por nada e a maioria das peças não agrediam diretamente o pudor, muitas questionavam ações escondidas, colocando-as em perspectiva e debate. Esta questão é similar àquela passada na Alemanha Nazista onde a arte produzida por judeus era considerada degenerada.

Agora podemos seguir para o tópico político. É óbvio que teve uma apropriação politica da situação. Movimentos de Direita, empunhando a moral e bons costumes (bem como os Nazistas na Segunda Guerra), enquanto do outro lado movimentos da Esquerda (supostamente liberal, pois apoiam em parte a ditadura do proletariado) apoiavam a manifestação quase que irrestritamente. É verdade que muitos não leram as fichas das obras em questão, tirando-as do contexto e julgando conforme a sua moral. Como eu havia dito num tweet; pessoas que não frequentam museus julgando obras restritas às exposições particulares (ou algo do tipo, não me lembro das palavras exatas). Sendo assim fundamental a nossa compreensão sobre as pessoas que emitiram opiniões inflamadas a respeito das obras supracitadas.

Outra questão importante apareceu recentemente onde supostamente um homem nu surge em meio a menores de idade. Esta cena facilmente pode ser encaixada como atentado ao pudor e todos que assistirem a este ato passivamente; um co-autor de tal crime. Antes de prosseguir, expresso aqui que a(s)/o(s) responsável(eis) estavam errados em expor publicamente criança(s) a este tipo de exposição.
Agora vamos abordar parte do aspecto social deste ato (parte, pois não tenho leitura suficiente pra sustentar algo muito profundo). Sob este prisma podemos dizer que é um desafio e uma exposição do estado natural para discussão dos paradigmas sociais atuais, mas acredito ser uma exposição desnecessária para a estrutura social atual e mesmo os mais liberais (e libertários) podem achar um atentado à moral. Por mais que a moral seja subjetiva. Por outro lado esta exposição não contribui em nada ao combate contra a pedofilia.

Agora falarei sobre a cortina de fumaça que esta discussão gera no âmbito político nacional.

Muitos movimentos se apropriam, aparentemente do nada, de preceitos morais, defendendo a suposta família tradicional brasileira (que por sinal não existe de fato, a não ser que você fale sobre os donos de escravos e coronéis brasileiros). A esquerda já expôs as suas contradições, como as dos fundadores do MBL, por exemplo, expondo as letras de funk bem mais agresivas do que qualquer obra de arte exposta num museu. Abrirei um parênteses para contextualizar sobre o funk brasileiro...

Sim, há uma contextualização sobre a desvalorização e exposição exagerada da figura feminina, dada como posse daquele que pode pagar mais pela sua presença e eventuais serviços. Geralmente esta classe privilegiada é representada por traficantes de armas, drogas e humanos, bem como habitantes das classes A e B frequentadores dos bailes funks e afins. Considero todo este ambiente como negativo para a imagem feminina, pois tira a sensibilidade das mulheres sobre a violência que as mesmas sofrem em seu ambiente.

Voltando... Se eu elencasse todas as contradições sob o prisma de sua moral da direita brasileira faria um texto desnecessariamente mais longo que este e com toda a certeza sem o foco necessário, pois me obrigaria a elencar as contradições de seus oponentes. Também vale salientar o momento de descoberta da corrupção cujo Brasil está passando, e o quanto estas discussões acaloradas sobre moral e o que é arte (que por sinal não é uma pauta nova) serve como cortina de fumaça, tirando o foco do que é realmente importante para a nossa construção como Estado Nacional, desconstituindo seus preconceitos e relendo criticamente suas crenças históricas.

Lembrando que li opiniões internet a fora no que concerne a posição de profissionais na área da psicologia, mas infelizmente falta pesquisa para sustentar argumentos dos dois lados, sendo assim estas visões ainda estão em conflito. Uma coisa é certa; o debate é imprescindível, ao contrário da proibição arbitrária.

Lembrando que todos nós eventualmente entramos em contradições e percebe-las é o que nos faz evoluir em nossa própria perspectiva. Mudar de opinião não é o crime que muitos pintam por aí. Uma ideologia, seja de esquerda ou direita, não é uma roupa que se veste conforme seu gosto, mas uma construção de ideias pré estabelecidas e, geralmente, baseadas em muitos argumentos que provavelmente você não apoiaria se pensasse sobre. Saiba construir seu próprio conjunto de ideias e não se permita encaixotar. Há ideias boas e ruins de todos os lados, por isto que nosso papel enquanto artistas é colocar os assuntos em debate, questionando as bases das ideologias existentes, principalmente aquelas que se apoiam em morais ambíguas e de preceitos religiosos (pois Bíblia não é Constituição).

Espero que compreendam o meu ponto de vista (ainda em construção) e que gere a discussão necessária e não ataques desnecessários.

Abraços randômicos e até mais!

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